sábado, 21 de abril de 2018

ATORES AMERICANOS NUS, NAKED AMERICAN ACTORS,


(6 SEGUNDOS) LARRY MCHALE COMPLETAMENTE NU EM "I'M STILL HERE"




I'm still here, o filme que em 2008 era vendido como um documentário, hoje é visto como um mockumentary, principalmente depois do diretor Casey Affleck afirmar que tudo foi realmente um ato premeditado.

Na vídeo vemos Joaquim Phoenix - que foi indicado ao Oscar duas vezes - fumando grandes quantidades de maconha, cheirando grandes quantidades de cocaína, fazendo sexo com prostitutas e até mesmo sendo alvo de excremento humano. Temos então a desestabilidade emocional do ator como foco principal. Seu ego inflado, destrutivo, irracional. Sua decadência moral e física exposta para as câmeras, família e amigos. Uma viagem insólita, ofensiva, e desnecessária ... se prestarmos atenção apenas no que está evidente.

Em termos midiáticos, filmar a decadência humana (o fundo do poço mesmo) de maneira documental, não significa que o "produto" será mal recebido no mercado. Ele terá, no mínimo, a alcunha de "badalado" - fato assustadoramente irônico. E é exatamente por isso que não podemos classificar este filme como bom ou ruim, pois agradar nunca foi sua intenção. Seu intuito, primeiramente, era mostrar algo pessoal, e de quebra oferecer algumas ideias a se pensar. Todo este elemento da influência da mídia foi apenas uma das verdades que Joaquim Phoenix ofereceu. 

Só que a grande jogada do cara foi: vender uma mentira que finge ser verdade... e que no final é realmente uma verdade. Muitos o condenaram apenas pela "falsidade", por sua desconcertante presença desleixada, mal-ajambrada - como se consumir cocaína indiscriminadamente fosse algo normal (o pior que é, né?), que tudo não passou de um "caso de marketing", entre outras palavras requentadas como essa. Como se a busca disso tudo fosse resposta comercial? Visibilidade?



O caso é que Joaquim Phoenix já provou suas qualidades como ator. Sua interpretação de Johnny Cash em "Walk The Line" lhe garantiu um espaço na história do cinema. Em "I'm Still Here", podemos ver que ele realmente não deixa de interpretar por nenhum minuto, e até fala um pouco sobre isso, como se fosse uma maldição, como uma criança intensa demais que só poderia escolher a arte como resposta, ou ser escolhido por ela. No entanto, é simplesmente irracional afirmar que tudo foi controlado. Como se fosse fácil alguém se desintegrar completamente na frente do mundo. Sim, a ideia absurda de se vender como um rapper estava lá, irônica, mas o resto foi um trem descarrilhado, um apanhado de acontecimentos aleatórios e imprevisíveis.

O ator se tornou um mártir que não merece respeito de ninguém. Fez disso uma verdade inegável. Naquele momento ele parecia ter destruído sua carreira para sempre. E isso com certeza foi muito real para ele. Só precisamos imaginar, por um segundo, como deve ser difícil se expor dessa maneira. Como uma obra dessa deve consumir uma pessoa. Ninguém é tão frio e calculista ao ponto de ir ao David Letterman como um mendigo, ver todo mundo rindo de sua cara e dizer inconscientemente que "está tudo ok! Estou no comando aqui!". Este filme foi um exercício de auto-destruição, e os motivos reais disso pertencem apenas a Phoenix.

"I'm Still Here" registrou um momento de desconstrução, que mostra como alguém pode se transformar em uma piada, uma caricatura de si próprio. Mas pense nisso: um diretor que busca exatamente estes "valores" em um ator, para um filme em particular, verá no documentário de Phoenix o currículo perfeito. O trabalho é a prova real de uma experiência visceral, vívida e absorvida de forma, no mínimo, corajosa. 

Hoje esta hipótese ganha ainda mais sentido, sendo que o mesmo voltou a atuar em "The Master", de Paul Thomas Anderson - filme que foi maciçamente elogiado pela crítica, sendo a atuação de Phoenix o grande destaque. Ele até mesmo é o favorito a ganhar o Oscar, premiação que afirmou ser uma besteira da qual não fará parte. 

E no final, o mundo deu algumas de suas famosas voltas. O ensandecido irmão de River Phoenix usou tudo que existe de negativo a seu favor. Se "I'm Still Here" é bom ou ruim? Isso não importa na verdade, a obra não se encaixa nestes termos de qualificação. Podemos dizer apenas que ela é curiosamente relevante. 

Só que vale lembrar o aviso de presença contido no título do projeto. Ele estava por lá, atrás da loucura e da vergonha, pedindo um voto de paciência, uma chance de mostrar algo para si mesmo, se convencer de que ainda é capaz de ter sentimentos como qualquer outra pessoa (talvez?). Mas parece que poucos entenderam dessa forma. Acabou sendo melhor ainda.

RETIRADO DO SITE: https://criticadaquelefilme.blogspot.com.br/2012/10/im-still-here.html 

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